quinta-feira, 28 de maio de 2015

POR ONDE ANDA O AMOR?

O amor se perdeu na esquina,
no beco, nas vielas da rotina

O amor sossegou, o fogo baixou, não se vê
mais brasa, nem brilho na retina...

O amor se desintegrou e expulsou sua parte mais insana...

A paixão foi embora, o amor não a quis mais, e agora o amor
vive vagando, procurando a paixão perdida.

POEMA PARA OS DESAJUSTADOS

Sem as marras daqueles que me precedem, sigo meus escritos...
Preciso me desgarrar dos clichês que de súbito me vem a fim de trazer
a imagem desse mundo caótico e organizado.

A moral vigente, as certezas que fluem dos lábios dos que se sentem autorizados
a aprisionar em nome de Deus, contribuem para a manifestação do caos/ordem, cenário
mais que previsível.

Não quero escrever um conto, romance, nem nada passível de classificação ou gênero,
mas sei que é inevitável...

A gaveta do armário velho está cheia de rótulos e eles não envelhecem.

Mércia Cruz

sábado, 10 de maio de 2014

O vento sopra e só Deus sabe para onde vai...

O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

João 3:8
 
Em diálogo com Nicodemos, Jesus nos alertava sobre a necessidade do novo nascimento..."Necessário é nascer de novo...da água e do espírito". De imediato, tal ensinamento nos remete ao fato de que devemos nos converter e pedir a Deus graça para nascer todos os dias, para se ressignificar enquanto humano/cristão/filho de Deus. E para isto, devemos nos afastar de tudo aquilo que é carne e mundo, ou seja, uma lógica/estrutura sobre a qual está montado todo um sistema e uma perspectiva de ver a vida. E a ideologia desse mundo seria o grande império montado numa base de injustiça e desigualdade. Quando pensamos de tal forma parece soar muito político e desprovido de "espiritualidade", mas o que significa não ter aonde ir? Não estaria o mestre nos alertando sobre as armadilhas do sistema cujas raízes são morte? Não estaria Jesus nos ensinando que a vida "programada", confortável e alienante é uma cilada do inimigo? Não estaria ele nos ensinando que o Reino de Deus não é deste mundo e por isso sem amarras e promessas de uma felicidade plástica e obrigatória?

domingo, 20 de abril de 2014

ELE VIVE!!




Hoje é domingo de manhã, e em um tempo histórico diferente
daquele representado na canção temos a esperança em um Cristo
que foi morto e reviveu...Poderia dizer certeza, constatação, mas dito isto, perderia
a dimensão transcendental que reverbera na esperança e na fé. Desse modo, a fé não é
menos do que a certeza, tampouco a esperança inferior às coisas tangíveis. Proclamo a fé
porque aprendi o sonho e a utopia com um cara que esteve por aqui nos contando uma história
de salvação...Um revolucionário político, diriam alguns! Mas a revolução que Ele fez foi na minha história. Obrigada Jesus, por sua força e coragem e por nos inspirar em tempos de opressão.
 
 

ELE VIVE! (Leonardo Gonçalves)


Hoje é domingo de manhã,
Hoje o sol não quer brilhar
Tudo é solidão...
E elas vêm dizer: de madrugada ressurgiu
Não acredito em ilusões,
O sol da justiça se apagou
O mundo inteiro viu
Os cravos em suas mãos,
O seu corpo a sofrer,
Sua morte lá na cruz não consigo entender
E agora este túmulo vazio,
Esse anjo a questionar:
Porque procuro entre os mortos quem vivo está?
E hoje sou livre, pois Ele vive
Ele vive, Ele reina em mim, Em mim
Morte e pecado foi derrotado
E eu sou livre, eu sou livre enfim, de mim
Como Jesus ressuscitou
Da morte eterna para luz
Da água renasci
E faz sentido servir
Alguém melhor que eu
E hoje sou livre, pois ele vive
Ele vive, Ele reina em mim
E os que descansam no senhor
Quando voltar despertarão
E em sua carne enfim verão a Deus
Hoje sou livre, pois Ele vive
Ele vive, Ele reina em mim, em mim
Morte e pecado foi derrotado
E eu sou livre, eu sou livre enfim, de mim
Todos os dias de manhã
Quero renascer

sábado, 4 de janeiro de 2014

Conversando com Deus...




À procura de um filme para essa rara tarde de folga, me deparo com um título que me chamou atenção..."Conversando com Deus" não é mais uma proposta como tantas que tenho visto. Não contarei o enredo, mas pelo menos posso dizer que em comparação "À Procura da Felicidade" não traz em si um ideal capitalista como caminho para a felicidade. Em um dado momento, me parece que o primeiro título se difere por conta da cena final...Ali percebemos que aquele texto do apóstolo Paulo sobre estar com Deus na pobreza e na riqueza, na escassez ou na abundância se personifica.

Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.

Filipenses 4;12

Em diversos momentos do filme, algumas pessoas questionavam a existência e a visão de um Deus bom e misericordioso, tendo como base para o confronto discursivo a miséria humana em suas diversas formas de manifestação. E, então, isso me faz refletir sobre nossa maneira de tentar compreender quem é Deus...Parece que ele está sempre numa ótica de representatividade que parte de nós mesmos...Parece que Deus é visto a partir dos homens, mulheres e crianças. Se sofrem, isso o coloca como opressor, se estão alegres...isso o qualifica como abençoador e Pai de todos. Será que um dia aprenderemos a olhar para Deus de uma perspectiva diferente dessa que conhecemos hoje? Será que a humanidade é mesmo o ponto de partida, sendo ela apenas uma dimensão da criação divina? Sabemos que os homens/mulheres dizem muitas coisas sobre Deus...Muitas coisas, as vezes boas, as vezes ruins...Mas, o que dizem os pássaros, as flores, os lírios do campo?? O que diz o sol, a lua, o arco íris, as estrelas sobre Deus?? Talvez nunca saberemos, talvez nossa arrogância não permita compreender que não somos as únicas vozes nesse emaranhado discursivo, talvez nunca percebamos a polifonia (diversas vozes, textos e discursos) e a polissemia (diversos sentidos e significados) nesse grande universo do qual somos apenas e só uma pequena parte.


NEle, criador dos Céus e da Terra 
Mércia Cruz 

sábado, 20 de julho de 2013

Meu melhor amigo...

"Eu sei que sempre foi meu Deus,
mas sei também que é meu melhor amigo...
Eu sei que me perdi no tempo, mas sei que sou melhor contigo..."

(Rosa de Saron)





domingo, 14 de julho de 2013

É necessário se despedir...



"Nós ignoramos tudo sobre a vida;
que podemos então saber sobre a morte?"

(Confúcio)





Para o antropólogo Rodrigues, a morte é um produto da história. Nesse sentido, "a morte de um indivíduo não é um evento isolado, mas representa tantos eventos quantas relações o indivíduo mantivesse"...Teorias, explicações, desvelamentos de questões que para nós (humanos) são de cunho muito subjetivo. Agradecemos a comunidade científica por suas contribuições sociológicas, antropológicas e históricas sobre a morte, mas quando a vivenciamos fica apenas o humano desamparado, angustiado diante de um vazio existencial que traz a tona a nossa insignificância e impotência perante os fenômenos mais corriqueiros da vida.  Hoje, ao chegar de um domingo de celebração com irmãos de fé e caminhada, sou surpreendida com a notícia do falecimento da irmã Lourdes (comunidade de Camaçari). Estes momentos de choque parecem nos suspender do cotidiano, o que fica é o silêncio e a vontade do não-dizer. Mas, é preciso dizer...é necessário se despedir...



Flores e consolo do Espírito pra essa família,
Força e esperança a tdos/tdas nós.

Mércia Cruz  

sábado, 13 de julho de 2013




"Em você eu sei me sinto forte...
Com você não temo a minha sorte...
E eu sei que isso veio de você" (Rosa de Saron - Do alto da pedra)





A fé é um tema recorrente neste blog, mas poucas vezes racionalizamos (apenas) sobre esta, talvez por seu caráter de relação intrínseca com a própria existência. A fé "como o firme fundamento das coisas que se não veem, mas que se esperam" está contida na Bíblia como definição, e contida em nossos corações como verdade...absoluta? Talvez os relativistas critiquem tal postura, mas a verdade é que a fé é sim a nossa mais absoluta verdade. Só podemos entrever esperança naquilo que nos torna seguros, e já dizia Agostinho que a alma quer se prender a algo, mas as coisas apenas flutuam. Como ter fé no efêmero, no incerto? Mas, se por um lado Deus é aquele para quem direcionamos nossa confiança, por outro, as circunstâncias vigentes não são tranquilas. "Os dias são maus", e a angustia do existir, ideia defendida por Kierkegaard  se manifesta nesta labuta diária e nessa forma que encontramos para experimentar e vivenciar o cotidiano. 
É bem certo que a fé, assim como a arte, não é apenas transcendental, mas é antes de tudo, humana...Necessidade que temos e está para além da linguagem porque não temos condições de dizê-la (Wittgenstein), e só por isso podemos acreditar em dias melhores...só a fé, nessa sua definição do pouco provável ou do improvável (esperar o que não se vê) é que nos torna capaz de existir (com todas as nossas angústias) e acreditar (com todas as nossas incertezas).


Mércia Cruz,
N'Ele...Cristo de Nazaré, autor e consumador da nossa fé.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

As sem-razões do amor...

Se pudesse escrever sobre as sem´razões do amor numa tentativa alucinada de entrever uma alusão à Drummond, diria que amor não é adequação, nem cronologia. Devo me apaixonar a cada ocaso? O amor segue o seu curso, como rio, sabe por onde corre e se não encontra passagem, inventa caminhos, como o rio que o Guimarães Rosa encontrou e pôde adormecer à beira de sua terceira margem. Recuso-me a definir, redefinir e referenciar o amor ao universo do cotidiano, torná-lo mera prosa, quando na verdade és todo poesia. Se algum desejo tenho, é apenas o de nunca perder o desejo do encontro e de me encontrar nas Confissões de Agostinho quando este diz que "a busca é o desejo de querer ir".

Mércia Cruz.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Em 21 de abril...25 versos, flores e primaveras...


Poema Esquisito
Dói-me a cabeça aos trinta e nove anos.
Não é hábito. É rarissimamente que ela dói.
Ninguém tem culpa.
Meu pai, minha mãe descansaram seus fardos...

(Adélia Prado)

Dói-me a cabeça aos 25 anos e é cotidianamente que ela dói. 
Está tudo em ordem...mãe acaba de me trazer o chá diário, porção mágica que dilui dor e agonia da alma.
Está tudo em ordem...mãe ainda reclama o limpar da casa, o lavar dos pratos, mas quando faço, reclama o esforço (olha a coluna menina!) e toma mais chá!
Dói-me a cabeça aos 25 anos porque temo a desordem.


Mércia Cruz.

domingo, 14 de abril de 2013

Sigo, apenas sigo...

"Sigo, apenas sigo..." (Salmo das profundezas - Ricardo Gondim)



Aconteceu que, indo eles pelo caminho, veio um homem que lhe disse: Seguir-te-ei para onde quer que vás. Jesus disse-lhe: As raposas têm seus covis e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. (Lc 9;57)

Nas "Confissões" de Santo Agostinho, a alma deseja repousar em algo, mas não há estabilidade, ponto fixo, todas as coisas apenas flutuam. Voltemos a Deus! Mas, como, se seu filho nos retira (com o referido texto) toda possibilidade de segurança? 

A Verdade e a Vida que se coloca enquanto Caminho vem nos ensinar que "buscar a Deus é apenas o querer ir" (Agostinho). Então não é chegada, mas o ponto de partida...A doce companhia da jornada.

E se a existência, essa estranha engrenagem que chamamos de vida, não for estrada, e se configurar como quadrado, retângulo, círculo? Onde então estarei com o Deus que é caminho?

Se a ordem das coisas se inverterem, ainda assim....sigo, apenas sigo...

N'Ele, que se reconfigura para estar conosco!
Mércia Cruz.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Com licença poética...Deus é mulher!

08 de março, Dia Internacional da Mulher...

* Texto inspirado na reunião das mulheres SUPRE - IPU (Igreja Presbiteriana Unida de Muritiba - Ba). Meus agradecimentos ao Reverendo e Cientista Social em formação, Claúdio Rebouças por tal inquietação: Deus é mulher!


 
Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
 
Adélia Prado


Nas considerações dos cientistas sociais, o dia é simbólico, um dia de comemoração/reflexão sobre nossos espaços na sociedade, sobretudo, sobre aqueles que com muita luta e resistência conquistamos e estamos por conquistar. Parafraseando Adélia, caminhamos aceitando "os subterfúgios que nos cabem, sem precisar mentir... Ora sim, ora não, cremos em parto sem dor" e cremos também na construção de um mundo melhor, apesar de todas as incertezas e contradições inerentes a este processo. Utopia, sonhos, esperança...É! Pra alguns bobagem! Pra algumas (mulheres), impulso e combustível para a estranha engrenagem da vida. 
Com efeito, apesar de toda violação de direito e desigualdade de gênero, é fato que fortalecemos nossos passos na busca por justiça. Mas, e quando nos reunimos para apontar nosso olhar à transcendência? Somos capazes de imaginar um Deus mulher? Um Deus que durante muito tempo foi nos apresentado como Pai e Senhor deve possuir uma face materna e feminina que por condições históricas adversas nos foi ocultada. Por conta disso, hoje, no Dia Internacional da Mulher do ano de 2013, comungo com o discurso de muitos teólogos que já defendem esta bandeira (ex. Leonardo Boff) e afirmo com licença poética, ou seja, com a aproximação que a arte/poesia me faz com o divino "porque vem de um reino e para ele aponta", que Deus é mulher! Deus é Pai e também é Mãe, face feminina que nos ajuda e nos sustenta neste campo de batalha cotidiana, nesta arena complexa da vida. Glória a Ele e a Ela nas alturas, paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade!

N'Ele...N'Ela, que com graça, bondade e misericórdia manifesta seu amor e cuidado por nós todos os dias!
Mércia Cruz.  

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013





Observação do Tempo

Amanhecemos
com os olhos do amanhã
e o dia é hoje.
Anoitecemos
com os sonhos de ontem
e a noite é hoje.
E de tanta
falta de sintonia,
de tanta busca
e farta agonia,
rabiscamos no calendário
a morte dos dias.

(Damário da Cruz)


Último dia do ano... expectativa quase que ritualística para a viração do ano, certa alusão ao Jardim do princípio quando o humano esperava Deus na viração do dia (já escrevi um post sobre isso aqui no blog). E se todo rito de passagem carrega um sentido mágico, por que então não aproveitar o momento oportuno para refletir, agradecer a Deus e desfrutar do presente no seu sentido mais presente de ser? Lembro-me de Agostinho quando atribui ao tempo (passado, presente, futuro) um caráter fugidio, no entanto, se estamos meio que "flutuando" nestes paradigmas que criamos para contar os nossos dias, não percamos a esperança  no criador do tempo e de todas as coisas que nele se inserem. Independente de como contamos e dividimos as estações e/ou de como vivenciamos tais transições, desejo um 2013 de muita fé, paz e amor a todos e todas.

Que possamos contar sempre uns com os outros...

 "Deus é a vontade de estar feliz" (Cidade Negra)

N'Ele...
Mércia Cruz
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Por amar Adélia...

Por amor a Adélia Prado e seus poemas sobre dona doida, é que nasce esse fragmento literário... como braço extensivo de uma poética admirável e da qual jamais saberia co-responder, portanto, são apenas versos de reverência e homenagem.

Equilíbrio

Ando solta e sem amarras
Nenhum passo me é suficiente no caminho
Quando santa, embruteço demais a face e entrego um coração sem afetos.
Quando doida, desando a desatar os nós e abrir os cadeados que guardam sentimentos secretos.
Ocultos, mas em consenso revelados sem segredos e ditos sem palavras.
Mas, o que vai a alma de um poeta? Criador das sensibilidades desvairadas, amante do erro e da cólera?
É isto o amor?
Responde-me, voz que fala aos deuses e aos homens.
Quem sou em meio a este grande mistério, que lugar devo ocupar entre aqueles que amam, se sendo santa
não amo como espera o amor e sendo doida me perco e me embriago no cálice fugidio da intensidade a que chamam de paixão?

Mércia Cruz.


sábado, 6 de outubro de 2012

As cartas que eu não mando...









"Guardo pra te dar as cartas que eu não mando,
conto por contar e deixo em algum canto"

(Leoni)









Esse espaço deixa de acolher muitos escritos, que penso...penso e não materializo...todos eles, cartas que não mando, mas, sobretudo, cartas que não escrevo. E o motivo pelo qual não registro? Talvez a obrigação me afaste, me magoe...no entanto, o que é a literatura senão forma de estar no mundo, obrigação de pagar as contas e se justificar diante de Deus como cumpridor de uma missão, como já assinalou Fernando Sabino? Pensamento e escrita, eis a minha dose diária de vida, de fé e de comunhão com o sagrado. Minha carta de hoje, teria os seguintes fragmentos:

Cachoeira, 06/10/2012

Querido Deus,

sou grata a ti por todas as coisas...Coisas? mas, o que são tais coisas as quais me refiro o tempo todo? será que tenho refletido sobre o real sentido do meu agradecimento? Pensarei sobre isto, porém, de antemão não quero o imediatismo do outro lado que me remete a começar a enumerar uma lista enorme dos elementos pelos quais rendo-te graças. 
Minha mãe, família, amigos, cuidados...cada um deles amor, esperança, gratidão...no entanto Deus, sinto-me mais grata ainda pela dimensão Pai/Mãe que tu és, pois, por meio do teu infinito amor e por esta compreensão posso então valorizar todas as outras. 

Obrigada por tua maneira de ser e estar em mim...

Mércia Cruz.
Glória a Ele, que constantemente lê todas as cartas que deixamos de escrever e publicar.







quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em que tempo nós estamos?

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Eclesiastes 3:1


Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Eclesiastes 3:11


Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
Eclesiastes 3:12


E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.
Eclesiastes 3:13


Já não há entrelinhas nos meus escritos, nada além para decifrar, a vida apenas...nas palavras de Drummond "A vida presente, os homens presentes". O cotidiano e suas manifestações tão aparentes e desnudas, esta arena de diputa e provocação diária nos perturba, nos incita ao jogo...mas que jogo? A vida é um jogo? Temos "competidores" tão demarcados? Ou será que em meio a esse tempo de guerra e estratégias, temos esquecido da dimensão da paz, do amor, da beleza e da poesia? O que é o humano? Sua condição material lhe determina a acessibilidade àquilo que é belo, humanizador e divino?  O Espírito, assim como os poemas, são pássaros! E estes pousam onde bem lhe apraz. Deus está entre nós, mesmo quando...
 
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
 
(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Evangelizar também é humanizar...

"Evangelizar também é humanizar..." (Rev. João Dias- IPU "Rememorando a Conferência do Nordeste)








Dentre tantas palavras que flutuavam no culto da manhã de domingo (19/08/2012) estas citadas acima, pousaram sobre minha cabeça e não quiseram mais sair. Podiam alçar vôo e fazer descansar a minha consciência, mas não...elas continuam aqui martelando e me "obrigando" a escrevê-las. Pois bem, livro-me desta agonia imediata, mas nunca poderei me livrar da responsabilidade de ter a consciência de que Cristo nos chamou para evangelizar/humanizar e não escravizar/espiritualizar ninguém. Se a salvação se dá no plano individual (cada um dará conta de si mesmo a Deus), ela ocorre antes e de forma suprema no plano coletivo, visto que cada um dará conta de tudo o que fez de bom e de ruim... consigo mesmo? Pode ser, mas antes...o que fizermos de bom e de ruim com o outro, o humano, sempre alvo do amor de Deus. De um Deus que é Pai e Mãe (nas considerações de Leonardo Boff), que está mais interessado em salvar do que condenar...Mas, o que é a salvação então? Alma apenas?  E se for só alma (no sentido transcendental) porque Jesus se fazer corpo e habitar entre nós? Porque um Cristo soberano se historicizar, adentrar este mundo e se submeter a brevidade da vida? Ao tempo, ao sono, a saudade, ao amor, ao choro, a angústia, ao medo, ao frio, e a morte? O teólogo Leonardo Boff nos dá uma pista:

"A revelação de Deus se dá dentro da vida humana e da história", mas, "A revelação de Deus não deve ser pensada de forma miraculosa (apenas), pois, "a Palavra de Deus não nos dipensa de pensar, tatear, buscar, esperar e de tomar decisões". (p.71)*

Nesse sentido, essa voz que ecoa e que me traz a consciência da necessidade de me envolver mais e mais com o Reino de Deus (que é justiça, paz e alegria no Espírito Santo), e me deixar ser forjado nesse processo, essa voz e esse chamado divino se manifesta e toma posse da minha consciência.

"A existência da consciência em nós nos eleva acima de nós e nos coloca diante daquele que fala em nós: Deus. A consciência que nos chama para o bem, nos evoca para a responsabilidade e apela constantemente para a abertura aos outros é a voz de Deus que nos atinge". (p.75)*

* BOFF, Leonardo. O Destino do homem e do mundo.

NEle, que nos traz à consciência a revelação da sua palavra.
Mércia Cruz.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Texto sobre nada

"Assim eu quereria minha última crônica, que fosse pura como esse sorriso" (Fernando Sabino).

Como diz o cronista Fernando Sabino em seu texto "A última crônica", não sou poeta nem sei escrever. Não faço verso, prosa, nem sei contar meu ordinário cotidiano; vida comum, beleza que não é luxo, e sim necessidade!
As três da tarde paro em frente a máquina de fazer escritos, mais um pouco de tempo e vem a hora da prece, mas protestante como sou não fui ensinada a reverenciar a mulher divina. Uma pena! pois, se não vejo em Maria ou Ana seres dignos de toda consideração, se não vejo Deus mãe encarnado em minha mãe, como então adorar Deus de forma fragmentada?
Deus-mãe vem com tua face materna e me acolhe em teu colo, porque no curso da jornada tive mais fome de amor materno.

Mércia Cruz. 

domingo, 22 de julho de 2012

Se eu quiser falar com Deus...



Se eu quiser falar com Deus tenho que apagar a luz, tenho que estar só...Tenho que rejeitar o "estrelismo", o pódio, o sucesso capitalista.

Se eu quiser falar com Deus tenho que me humanizar, me despir do falso heroísmo, do endeusamento falacioso e contraditório à minha existência. "Tenho que aceitar a dor".

Se eu quiser falar com Deus, tenho que ouvir uma canção como essa e me calar...como diz Augusto Cury, o silêncio é a oração dos sábios. Silenciar não é aplicar a regra dos 10 segundos antes de reagir, é antes um silenciar filosófico e existencial.  Silenciar para se encontrar em seus desencontros (Manoel de Barros).

Se eu quiser falar com Deus, tenho que me ver sob diversas perspectivas..."Tenho que me ver tristonho, me achar medonho...E apesar de um mal tamanho, alegrar meu coração".

Se eu quiser falar com Deus tenho que ter fé, tenho que aprender a voar fora da asa (Manoel de Barros). "Tenho que subir aos céus sem corda pra segurar".

Se eu quiser falar com Deus, tenho que me aventurar...e deixar de lado as minhas certezas, tenho que "perder a inteligência das coisas para vê-las" (Manoel de Barros)...Deixar de lado minhas respostas prontas e engessadas.

Se eu quiser falar com Deus, tenho que me permitir...reinventar!

NEle, que nos ouve em todo tempo
Mércia Cruz.





sábado, 7 de julho de 2012

Amanhecemos com os olhos do amanhã e o dia é hoje!

Observação do Tempo
Amanhecemos
com os olhos de amanhã
e o dia é hoje.
Anoitecemos
com os sonhos de ontem
e a noite é hoje.
E de tanta
falta de sintonia,
de tanta busca
e farta agonia,
rabiscamos no calendário
a morte dos dias.

(Damário da Cruz)






Hoje não tenho muitas letras a tecer, só passei pra deixar esse poema de Damário da Cruz, poeta do Recôncavo da Bahia. Fim de semana que se inicia, muitas tarefas a cumprir (acadêmicas, domésticas, etc...), mas antes de começar a colocar a mão na massa sempre dou uma olhada nas caixas de e-mail, redes sociais, e aí me deparo com recados de amigos (de longe e de perto), pessoas que há muito tempo não vejo. Amigos de ontem, de hoje, lembranças, saudades e "fotografias" com laços invisíveis de afetos, como diz a canção de Leoni. 
Como diz o Reverendo Claúdio (IPU/Muritiba), "essa busca pelo pão nosso de cada dia" não deve nos ofuscar o brilho da humanidade. Preciso de todos, preciso das "cores, do sol, dessas figuras, e todas essas pistas deixadas por Deus pra me fazer feliz: amigos!".

"Amanhecemos com os olhos de amnhã e o dia é hoje" (Damário da Cruz), por isso, "não tenhamos pressa, mas também não percamos tempo" (José Saramago).

NEle, que nos disse que a cada dia basta o seu mal...que nos orienta a deixar a ansiedade de lado e descansar em seus braços de paz e amor.

Mércia Cruz.