quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MAIS UMA VEZ - Renato Russo















Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...


Mas para vós, os que temeis o meu nome,
nascerá o sol da justiça (Ml; 4)

Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...


Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. (Ecl 3;1)

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá...

Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende



Leais são as feridas feitas pelo amigo,
mas os beijos do inimigo são enganosos. (Pv 27;6)

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança...


Porque quando estou fraco então sou forte. (2 Cor 12;10)


Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém...



Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja esperança é
o SENHOR.
Porque será como a árvore plantada junto as águas,
que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando
vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não
se afadiga e nem deixa de dar fruto. (Jr 17)


Amar é para os nobres de coração!
NEle,  fonte de todo amor e sol da justiça.
Mércia Cruz.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

NOVE OPERÁRIOS MORREM EM SALVADOR



Roda Pião

Composição: Nengo Vieira

 Roda, roda, roda ô pião
na roda da vida

 Roda tudo que ele poderia ter
fora o mundo que ele tem pra merecer
com o trabalho, com a dureza da servidão
sobrevive permanente na escravidão
perde a vida pra poder ganhar o pão
ninguém liga se ele vai mudar ou não

 Roda, roda, roda ô pião
na roda da vida

Trabalhador com muito amor vive na paz de Deus
na luz do Senhor que alivia a dor que é forte demais
mas a pureza e a beleza do seu coração
é mais que tudo, que qualquer dinheiro da grande nação

 Roda, roda, roda ô pião

Na manhã de hoje (09/08/2011) a população baiana se deparou com uma triste notícia, a tragédia que acabou por vitimar nove operários sensibilizou a classe que vive do trabalho.

Falha técnica? Falta de manutenção no equipamento?... Creio que as especulações pontuais não se configuram como o foco da questão, afinal de contas, acidentes podem acontecer mesmo com todas as precauções tomadas. No entanto, do ponto de vista mais amplo fica explicitada a diferença entre a classe dominante, detentora do capital e a classe trabalhadora, vitimada em seu cotidiano, seja de forma subjetiva com precárias condições de trabalho, seja de forma objetiva e mais trágica como a efetivação de acidentes como esse que ocorrem com mais frequência do que se imagina. Neste caso específico, o capitalismo, o grande dragão devorador, mais uma vez utiliza a sua estratégia de pulverização da questão social. Conforme as considerações de Ana Elizabete Mota, a fragmentação das múltiplas expressões da questão social, culpabiliza o sujeito e retira do poder público e do modelo de organização social vigente a responsabilidade pela situação vivenciada por grande parte do povo brasileiro.
A questão social é despolitizada. As tensões sociais provocadas pelo não atendimento das demandas sociais coletivas passam a ser minimizadas através do atendimento a questões pontual (MOTA, Estado e Seguridade Social, p.06).

Todavia, diante da conjuntura atual, se a utopia não nos fornece o caminho, o sentimento fatalista e o pessimismo acaba por obstruí-los de vez. Como disse Drummond, “chegou um tempo em que a vida é uma ordem”...então...”vamos de mãos dadas” levando no coração a esperança por dias melhores...

Fica registrada aqui a moção de pesar pela morte trágica desses operários, e a solidariedade aos familiares, colegas e companheiros que todos os dias “perdem a vida pra poder ganhar o pão”

"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá" (João 11;25).

                                                                                        Mércia Cruz.












segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PÃO DIÁRIO

Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!

Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.

Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR.

Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.

JEREMIAS 17

domingo, 7 de agosto de 2011

ENTRE ENCONTROS E REENCONTROS

Li esse texto em um site e achei que deveria divulgar...simplesmente lindo!
 
 
ENTRE DESENCONTROS E REENCONTROS


Um dos maiores desafios que enfrentamos na manutenção de nossa saúde física, emocional e espiritual reside na forma como lidamos com os ressentimentos gerados pelos desencontros em nossas relações interpessoais. Em algum momento de nossa trajetória, todos nós nos deparamos com a difícil tarefa de lidar com as amarguras em relação às atitudes e palavras de pessoas que, consciente ou inconscientemente, nos feriram ou decepcionaram.
No evangelho de Mateus, Jesus inicia uma sessão de ensinamentos com a seguinte frase: “Se o seu irmão pecar contra você (…)”. Diante do que é colocado, Pedro levanta uma palpitante questão: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim?” Jesus responde de forma enigmática, dizendo que não deveria fazê-lo somente sete vezes, mas sim, “setenta vezes sete”, conforme Mateus 18.21-22. Dando continuidade ao raciocínio, o Mestre conta a história do rei que, diante da oportunidade de acertar contas com seus servos, optou por cancelar suas dívidas e deixá-los ir.
É interessante que a primeira preocupação que nos ocorre ao lermos este trecho é qual seria o significado da frase “setenta vezes sete”. Isso muitas vezes desvia a nossa atenção de alguns outros elementos bem mais importantes no texto. Um deles é o fato de que este conjunto de ensinamentos trata dos desencontros entre “irmãos” e “conservos”. Logo, nosso questionamento deveria ser identificar quem é esse irmão, a quem devemos perdoar, ou quem é o conservo cuja dívida devemos cancelar. Eles certamente não serão pessoas desconhecidas, aquela gente que simplesmente encontramos na fila do banco ou no ponto de ônibus. Tais termos referem-se a pessoas que têm compartilhado conosco de uma jornada mais constante, andando lado a lado numa caminhada de fé e na construção de uma relação de amizade.
Justamente por isso, somos levados à constatação de três grandes problemas em nosso relacionamento com aqueles que nos são como irmãos ou conservos. O primeiro deles é que nossa maior dificuldade não é lidar com desencontros ocorridos com estranhos. O sofrimento e a crise se instalam de forma dolorosa e complexa quando o relacionamento com gente que compartilha de nossas vidas é abalado. O segundo problema diz respeito ao idealismo que criamos em torno dessas pessoas que nos são próximas. É uma expectativa irreal pensarmos que gente que compreende o Evangelho e se rende a Jesus como Salvador e Senhor não está sujeita a sentimentos de inveja, ciúmes, rancor ou inimizade. Daí nossa decepção quando o relacionamento com alguém assim é abalado.
O terceiro problema aponta para a forma como trabalhamos esses nossos relacionamentos. Sempre atribuímos maior valor à última atitude ou palavra, sem levarmos em conta todas as atitudes e palavras que construíram a história daquela relação. Em outras palavras, não importam todos os depósitos que foram feitos ao longo das experiências vividas; diante do desencontro, agimos como se nosso irmão ou conservo não tivesse qualquer saldo em nossas vidas. Em qualquer destas situações, a solução é sempre abrir mão do orgulho, reconhecendo o valor dessas pessoas para nossas vidas e histórias, redimensionando nossas expectativas em relação a elas e levando em conta tudo de bom que construiu nossa história mútua, e que não pode ser desprezado em função de um erro fortuito.
Mas o que Jesus quis nos ensinar com essa história? Primeiramente, que nós somos como o servo que não tinha como quitar a dívida com seu senhor. Deus é o rei que optou por cancelar nossas contas e deixar-nos ir, salvos e justificados. Logo, existem momentos que somente a consciência de quem somos diante de Deus pode nos dar a humildade suficiente para lidarmos com graça com nosso irmão ou conservo ofensor.
Em segundo lugar, a história nos ensina que perdoar não é um sentimento que brota espontaneamente dentro de nós. O perdão é uma decisão que tomamos de assumir os prejuízos gerados pelo ofensor, abrindo mão de toda e qualquer cobrança. Ao perdoar o devedor, aquele rei não estava dizendo que não existia de fato uma dívida, mas sim, que ele resolvera abrir mão do que lhe era devido. Ou seja, ele assumiu o prejuízo e liberou o outro de qualquer cobrança. E, muitas vezes, o perdão não consiste em um mero ato, mas em um processo – mesmo depois de tomarmos a decisão de cancelar as contas, somos surpreendidos por sentimentos que voltam a nos assaltar e nos impulsionar à demanda por justiça. Diante deles, precisamos renovar nossa decisão pelo perdão.
Agindo dessa forma, nossos desencontros serão movidos na direção de reencontros. Debaixo dos olhos do Pai Celeste, que tanto nos tem perdoado, somos motivados a fazer o mesmo com o irmão que pecou contra nós ou com o conservo que nos deve. Movidos pela graça que nos alcançou, somos capazes de derramá-la sobre aqueles que nos feriram ou decepcionaram.
Fonte: http://www.cristianismohoje.com.br/interna.php?subcanal=55&id_conteudo=553

Para quem iremos nós Senhor?

Para quem iremos nós Senhor...pergunta Simão Pedro.
Para quem iremos nós Senhor...pergunta meu coração.
E os meus olhos o que veem?
Uma multidão alvoroçada correndo à tua presença pelos milagres que realizas.
Para quem mesmo estão indo aqueles que te buscam apenas para realização de sonhos pessoais?
Para onde queres nos guiar Senhor?
Queremos ouvir a tua voz
Queremos ir após ti, pois tu tens as palavras de vida.

                                                                                                   Mércia Cruz

terça-feira, 2 de agosto de 2011

CIÊNCIA POLÍTICA E SERVIÇO SOCIAL

Importância do conhecimento da realidade política para o profissional de Serviço Social.

Conforme alguns teóricos do serviço social como Iamamoto e Estevão, o surgimento da sociedade capitalista, pautada sob um modelo excludente, aprofunda as desigualdades e inaugura a questão social. No início do capitalismo no Brasil, o Estado e a Igreja dividiram tarefas, enquanto o primeiro se preocupava com os aspectos políticos e administrativos, a Igreja (católica e protestante) cuidavam da parte social. E é exatamente nesse contexto que nasce o serviço social, inicialmente como prática assistencialista que serviu a classe dominante na mediação entre burguesia e proletariado, mas que com o passar do tempo se secularizou, adquiriu autonomia e referencial teórico, rompendo assim com seu passado tecnicista.
Todavia, os desafios não se encerram com as conquistas históricas da profissão. O modo de produção capitalista continua em desenvolvimento, inaugurando novas formas de desigualdades. Assim, salta aos olhos de qualquer observador, por mais desatento que seja, o aprofundamento atual das questões sociais perante o crescente capitalismo, que vem “queimando” as relações sociais, econômicas e políticas como um grande dragão devorador. De fato, nunca como antes, presenciamos tamanha perda de valores morais e éticos, uma acirrada competitividade e consequentemente a desvalorização do “ser” em favor do “ter”, enfim, a desumanização e/ou “coisificação” do indivíduo.
Nesse mesmo contexto o Serviço Social apresenta-se ainda mais necessário! A cada crise social a urgência em se discutir soluções práticas torna-se lema para os grupos subalternos e válvula de escape para a minoria dominante. Mas, em que lado o assistente social deve ficar? Eis um dilema histórico que corre nas veias do Serviço Social desde seu nascimento. Se por um lado está a classe abastada, sempre opressora, dona do poder, a mesma que emprega o assistente social, por outro se encontra a maioria excluída, sofrida, marginalizada, trabalhadora, sustentáculo da produção econômica social. Segundo Marx:
A história de toda sociedade existente até hoje tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, o opressor e o oprimido permaneceram em constante oposição um ao outro, levada a efeito numa guerra ininterrupta, ora disfarçada, ora aberta, que terminou, cada vez, ou pela reconstituição revolucionária de toda a sociedade ou pela destruição das classes em conflito. (MARX & ENGELS, 1999,  P. 26)
Porém, para assumir uma posição nesta arena de disputa entre classes sociais, o profissional de serviço social precisa conhecer a realidade política, bem como as implicações desta na sociedade em que atua. Esse conhecimento advém de um processo de investigação científica por parte do assistente social que considere a teoria como parte fundamental na materialização do seu agir profissional, sem cair no velho dilema entre teoria e prática, visto que conforme discussões atuais ambas se relacionam de forma dialética.
A compreensão da máquina administrativa e política de um país, bem como o funcionamento das suas “engrenagens” como, por exemplo, a instituição do modelo liberal (poder executivo, legislativo e judiciário) se faz ainda mais necessária ao profissional de serviço social na contemporaneidade. Compreender como e porque o liberalismo foi substituído pelo Estado de bem-estar social, que logo depois deu lugar ao neoliberalismo, e os interesses classistas aí imbricados fornece ao assistente social suporte teórico e científico para a compreensão da realidade posta. Pois, mesmo entre as demandas mais imediatas do seu cotidiano profissional, a sua prática sempre pressupõe uma pesquisa prévia e uma profunda relação com a teoria.
Dentre os diversos aspectos políticos, há de se considerar a democracia como o princípio que possibilitou a renovação do serviço social em solo brasileiro, principalmente no período da Ditadura Militar, quando a categoria profissional inaugurou o Movimento de Ruptura e se posicionou contra a poder hegemônico da época.
Conforme as considerações do professor Maurício em sala, “democracia é uma forma de organização política, um modelo que se difere de todo aquele que impede a participação do povo no processo decisório”. Nesse sentido, O projeto ético-político profissional do Serviço Social no Brasil pressupõe uma prática que leve a transitar do reino das necessidades para o da liberdade, refletindo também a capacidade do homem criar valores, escolher alternativas e ser reconhecido como cidadão. Assim, “a democracia é tomada como valor ético-político central, na medida em que é o único padrão de organização político-social capaz de assegurar a explicitação dos valores essenciais da liberdade e da equidade”. (CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS ASSISTENTES SOCIAIS APROVADO EM 15 DE MARÇO DE 1993).
Isto significa que o assistente social no enfrentamento das múltiplas refrações da questão social deve partir de uma ação investigativa, analisando a essência do problema e entrelaçando a teoria à prática, como fundamento essencial do agir profissional. Até porque a habilidade do profissional vai além de ser somente executivo, técnico, frio, sendo também um profissional competente teórica, técnica e politicamente. Inclui-se principalmente a capacidade de propor, criar e implementar políticas sociais,  avaliando  projetos, sempre tendo como objetivo precípuo, estimular a participação dos sujeitos sociais na tomada de decisão política, na esfera de seus direitos e no acesso aos meios de exercê-los. Levando sempre em consideração que este tipo de ação só ocorre quando o assistente social reconhece a importância do conhecimento científico para a compreensão da realidade social, que por sua vez fundamenta a sua intervenção nesta mesma realidade posta.

Mércia Cruz - 4º semestre S. Social UFRB.