sexta-feira, 22 de junho de 2012

Por um Cristo Nordestino...






20 de junho, café junino na IPU/Muritiba. Tema: Por um Cristo Nordestino. Encontro que suscitou reflexões.  


"Louvem a Deus no seu santuário, que é o céu do sertão! Louvem a Deus pela chuva, pelo sol e pela assombrosa resistência do povo...Louvem a Deus com sanfona e zabumba..."

Festejos juninos, o nordeste está em festa! Apesar dos infortúnios, da seca, do sofrimento, somos um povo que nunca esqueceu de sorrir. Sim, essa é uma verdade que está para além do mito do pobre conformado, pois, por conta mesmo dessa resistência é que não nos deixamos entristecer enquanto lutamos por dias melhores.

Dia desses estava comentando com uma amiga blogueira sobre como o meu blog estava teológico...(risos) e aqui estou mais uma vez falando desses "assuntos", fruto de muitas discussões. Mas, o que é a nossa vida senão pensar e discutir sobre aquilo que nos envolve? Não sei se posso falar sobre Deus, como diz Adélia Prado "não saberia dizer nada sobre Deus", a única coisa que posso fazer é adorá-lo.

Não saberia dizer se Deus é isto ou aquilo, sendo Ele próprio todas as coisas, não posso aprisionar Deus em minha pobre lógica, mas eu posso crer. Acreditar que ele é amor e ao mesmo tempo diversidade! Posso adorar um Cristo que também seja nordestino, posso ofertar no seu altar os chinelos da caminhada (parafraseando a liturgia da IPU). E diante desse envolvimento do Cristo com o humano posso deixar a dicotomia vida x teologia de lado e me envolver cada vez mais com estas questões que já não fazem mais parte da minha vida, mas já são a minha própria vida...Cristo, o verbo encarnado, pensado, discutido, mas, sebretudo, adorado!

"O evangelho não é teoria, é a verdade de Deus em Cristo" (Liturgia IPU)
NEle, fonte de vida e alegria!
Mércia Cruz

terça-feira, 12 de junho de 2012

FELIZ DIA DOS NAMORADOS

Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor nada seria (I Cor 13)

Ah...o amor!
Em virtude da disseminação de gestos, palavras, sons e comemorações
por conta do dia de hoje estou divulgando os rabiscos da minha amiga Herica Souza.




Amor sem definição:
Hoje alguém teve a audácia de falar sobre amor...
...
Aqueles que sobre isso querem falar deveriam defini-lo para si mesmo.
Não cabe a mim defini-lo, alguém um dia disse: amor não se define, essa é a melhor definição.
Mas posso dizer que: amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Assim já não digo eu, mas o livro sagrado. Sim! Passo esse cálice.
Não quero falar sobre o amor, quero praticá-lo.
E assim, quem quiser me amar, por favor, me aceite do jeito que sou:
E por favor
Ame-me sem cobranças
Sem estratégias
Sem dilemas
Ame-me devagarzinho, prenda-me em seus braços, segure minha mão... e leve-me pelos caminhos aplainados.
E faça-me conjugar... Faça-me ser. Ir além do que sou.

Herica Sousa- Mulher, cristã, administradora, poetisa e surpreendida pela Graça.

sábado, 2 de junho de 2012

Saudades das aulas de Filosofia

Uma pausa para a família Garcia, não falarei deles agora...
Que saudade das aulas de Filosofia...conversas abstratas sobre o ser e o não-ser...
Aquele professor com cara de cientista cético, mas com olhar cheio de crença no conhecimento.
A esperança, a subjetividade e a capacidade de se emocionar eram elementos que nunca faltavam nas aulas...Sujeitos assim, amantes da filosofia, que o senso-comum julga como maluco entende a gente. Que bom! há um lugar no universo onde você pode pensar sobre a existência com tranquilidade...
Que lugar é esse? No círculo filosófico da sua existência.




quinta-feira, 31 de maio de 2012

Leituras e desventuras

"A vida de Luiís Garcia era como a pessoa dele - taciturna e retraída. Não fazia nem recebia visitas. A casa era de poucos amigos; havia lá dentro a melancolia da solidão". (p.12...Iaiá Garcia - Machado de Assis).

Quero agradecer a Deus pelo dia de hoje...
Agradecer pela família que tenho, um beijo especial aos de perto e os de longe...
Grata pelo comentário da minha prima Naiadne e suas leituras nesse blog...pensar e escrever só faz algum sentido quando temos do outro lado um leitor com quem compartilhar letras e alegorias.


Há tempo não lia um romance ou um texto que não fosse acadêmico...Ufa! ontem a noite comecei a respirar pela brecha da literatura com Machado...Nenhuma obrigação, nenhum fichamento ou questão central para debater; apenas o livro e eu. Foi aí que conheci um sujeito misterioso...Luís Garcia...vejamos onde esse enredo vai dar.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Olhando o buraco da fechadura...




Como diz Adélia, as vezes Deus me tira a poesia e tira mesmo...mas, não tira de mim a contemplação do prosaico cotidiano. E sobre isso posso escrever. Mesmo sem inspiração? Não há lirismo desencarnado, não há vida sem poesia, ainda que esta esteja escrita em prosa. Desejo escrever mais aqui, mas esbarro diante da folha em branco por não saber como traduzir o que sinto e penso. Mas nunca deixo de sentir, de pensar e ver...Vejo todos os dias o mundo pelo buraco da fechadura, pela janela do transporte nos meus "passeios" diários ao trabalho, estágio, faculdade.
É assim que tenho me dividido esse semestre de 2012...Deus é muito bom comigo porque não perco o sentimento do mundo...subindo a serra do Recôncavo logo pela manhã meus olhos quase fechados pelo sono que as poucas horas não conseguiu cessar, não canso de ver e viver o Recôncavo...Esse lugar é terra mágica...de sonhos e desventuras.


PERDER PARA GANHAR

Perder a inteligência das coisas para vê-las”


Manoel de Barros, em “Matéria de Poesia”


Tornar as coisas que existem inexistentes e trazer a existência as coisas que não existem! Para Rubem Alves é necessário esse exercício para sentir, viver, compreender e entrar em contato com o mundo da escrita e da leitura...Como escrever sem exercer o sexto sentido? Sem a possibilidade que o pensamento nos dá de transcender?
Perder a inteligência das coisas, como nos sugere Manoel de Barros, seria ensaiar a desconstrução de conceitos bem definidos e enraizados em nosso ser social...Seria começar a ver o mundo pela lente de uma sabedoria contrária às formalidades existentes, como nos apontou o grande Paulo Freire. Podemos atravessar o saber escolar formal, sem desprezá-lo claro, mas acrescentar a ele o sentimento do mundo como bem nos disse Drummond. Se bem que nossos ombros não precisam necessariamente suportar o mundo, como este destacou em seu poema "Os ombros suportam o mundo", mas é necessário o estado de contemplação.

Sento-me à beira da calçada para ver-te
De cá meu olhar esprançoso crê que irá
despontar não do meio, mas do início do caminho,
que cheio de pedras e obstáculos cruzei para te encontrar.

Oh vida, oh mundo...vasto, viril e cruel...
Teus descampados me dão a certeza de um amanhã
atrás do sol que cai e da chuva que brilha...
Mas, teus olhos mundo...teus olhos já não me respondem nem me prometem nada.
Que importa? Tenho os braços abertos daquele que te formou sobre mim...
Ouço a sua voz e isso me basta! Já não preciso te ver mundo.

(Mércia Cruz)

sábado, 24 de março de 2012

Retalhos da Vida



São coisas do mundo, retalhos da vida...
São coisas de qualquer lugar, mas se eu fico mudo
esse mundo imundo é capaz de me tentar mudar.
(Retalhos da Vida - Alcione)





Texto apresentado na abertura do III Ciclo de Debates - Serviço Social em Retalhos!
Fruto de uma construção coletiva/ Equipe dos trabalhadores.



RETALHOS DA VIDA...
 
Crianças nas calçadas, mulheres violentadas, idosos desamparados, saúde e educação precarizadas. As drogas nas esquinas, a violação dos direitos, o negro criminalizado, a fila de desempregados, pois, NÃO HÁ VAGAS!
 

O preço do feijão

não cabe no poema.

O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão.



O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras

      – porque o poema, senhores,

está fechado: “não há vagas”

Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço

O poema, senhores,

não fede

nem cheira.

Ferreira Gullar!


Iamamoto destaca que decifrar as determinantes e as múltiplas expressões da questão social é urgente para o profissional do Serviço Social, sendo um requisito indispensável para perceber e dialogar com as contradições de uma sociedade em que a igualdade jurídica dos cidadãos convive de forma contraditória com a materialização da desigualdade. “Assim, dar conta da questão social, hoje, é decifrar as desigualdades sociais – de classes- em seus recortes de gênero, raça, etnia, religião, nacionalidade, meio ambiente etc, mas decifrar, também, as formas de resistência e rebeldia com que são vivenciadas pelos sujeitos sociais”. (IAMAMOTO, 2009, p. 114)
 

São coisas do mundo...São coisas do cotidiano de qualquer lugar...e os assistentes sociais onde estão e o que fazem? Mudos não podemos ficar, pois o Serviço Social já nasceu sob a égide fundamentalmente interventiva visando produzir mudanças no cotidiano da vida social dos usuários. Evidente que o mundo vai nos tentar mudar, mas... vamos deixar?